Vírus Nipah acende alerta mundial após surto letal na Índia

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Vírus Nipah acende alerta mundial após surto letal na Índia

Um surto do vírus Nipah no leste da Índia acendeu um alerta internacional após a confirmação de cinco casos no estado de Bengala Ocidental, incluindo médicos e enfermeiros. Segundo a imprensa internacional, cerca de 100 pessoas foram colocadas em quarentena, enquanto casos suspeitos estão sendo tratados em Calcutá, capital do estado. Um dos pacientes encontra-se em estado crítico.

O vírus Nipah (NiV) é altamente letal e provoca uma doença neurológica grave, que pode evoluir rapidamente para encefalite aguda e levar à morte. Em poucos dias, a infecção pode causar rebaixamento do nível de consciência, dificuldade para engolir e respirar, convulsões e movimentos involuntários. O início da doença, porém, pode confundir, já que os primeiros sintomas incluem febre, dor de cabeça, tontura e vômitos.

De acordo com a infectologista Carolina Lázari, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, o vírus tem origem natural. Os principais reservatórios são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, que não adoecem, mas eliminam o vírus por saliva, urina e fezes. A transmissão ao ser humano ocorre pelo contato direto com esses animais, suas excretas ou por alimentos contaminados. Desde o surgimento da doença, também já foram registrados surtos entre criadores de porcos, especialmente na Malásia.

Em surtos registrados na Índia e em Bangladesh, tosse, falta de ar e insuficiência respiratória têm sido comuns, quadros associados a maior mortalidade e aumento do risco de transmissão entre pessoas. A confirmação do diagnóstico é feita por exame de PCR no líquor, o que dificulta o reconhecimento precoce. Não existe vacina disponível, e o tratamento é apenas de suporte, muitas vezes em unidades de terapia intensiva.

A taxa de letalidade do Nipah varia entre 40% e 75%, dependendo do surto e da estrutura de saúde local. O período de incubação costuma ser de 4 a 14 dias, mas já houve relatos de até 45 dias. Segundo especialistas, o risco para o Brasil é considerado remoto, já que o principal reservatório do vírus não existe nas Américas.