Vacinas contra o câncer avançam e Brasil pode participar de testes em humanos

image 185
Vacinas contra o câncer avançam e Brasil pode participar de testes em humanos

Pesquisas sobre vacinas contra o câncer avançaram a ponto de já existirem candidatos prontos para testes em humanos, e o Brasil pode passar a integrar esse cenário nos próximos anos. A avaliação é de cientistas da Universidade de Oxford que estiveram no país nesta semana para discutir possíveis parcerias com instituições brasileiras.

As discussões aconteceram durante um workshop promovido pelo A.C. Camargo Cancer Center, que reuniu pesquisadores, hospitais e representantes do Ministério da Saúde com o objetivo de estruturar colaborações em áreas como imunoterapia, inteligência artificial e ensaios clínicos.

Entre os projetos mais próximos de chegar aos pacientes está uma vacina voltada a tumores associados ao vírus Epstein-Barr (EBV), presente em mais de 90% da população mundial e relacionado a cerca de 200 mil casos de câncer por ano. Segundo a pesquisadora Carol Leung, especialista em vacinas terapêuticas contra o câncer em Oxford, o imunizante já concluiu a fase pré-clínica, etapa em que é testado em laboratório e em modelos animais, e deve avançar para estudos em humanos.

A proposta agora é ampliar esses testes em colaboração com países onde determinados tipos de câncer são mais frequentes, como o linfoma de Burkitt, comum em regiões da África e também observado no Norte do Brasil.

Os pesquisadores destacam que um dos principais diferenciais desse avanço é a velocidade de desenvolvimento. De acordo com Leung, projetos recentes em Oxford passaram do conceito inicial para a preparação de testes clínicos em cerca de três anos, um intervalo considerado curto para os padrões da oncologia. Esse ritmo acelerado é resultado da combinação de plataformas já consolidadas, como as utilizadas nas vacinas contra a Covid-19, com novas estratégias voltadas a estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais.

Atualmente, a universidade desenvolve diferentes frentes de pesquisa simultaneamente, incluindo uma vacina contra câncer de pulmão prestes a iniciar testes clínicos em humanos, outra voltada ao vírus Epstein-Barr já pronta para avançar de fase, além de estudos focados em prevenção para pessoas com alto risco genético, como na síndrome de Lynch. Há ainda projetos em andamento para tipos de câncer como mama, incluindo casos ligados ao gene BRCA1, ovário, trato gastrointestinal e mieloma.