Uma pesquisa do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), em parceria com cientistas da Índia, apresentou resultados promissores no combate ao diabetes tipo 2. O estudo desenvolveu nanopartículas de prata produzidas a partir de plantas da medicina tradicional, capazes de inibir enzimas responsáveis por transformar carboidratos em glicose. A descoberta pode abrir caminho para novas alternativas de tratamento.
Atualmente, estima-se que mais de 820 milhões de pessoas vivam com diabetes tipo 2 no mundo, doença que pode causar complicações vasculares, renais, neurológicas e comprometer a qualidade de vida.
O trabalho, publicado na Journal of Applied Pharmaceutical Science, alia nanotecnologia ao conhecimento tradicional. Sob a coordenação do professor Igor Polikarpov, do IFSC, sais de prata foram transformados em nanopartículas esféricas de 10 a 30 nanômetros com auxílio de agentes redutores derivados de plantas. Em alguns testes, os resultados superaram até mesmo a acarbose, medicamento referência no tratamento da doença.
Segundo os pesquisadores, além de bloquear a ação das enzimas ligadas à digestão dos carboidratos, as nanopartículas mostraram potencial para atuar em mecanismos celulares relacionados ao metabolismo da glicose.
O estudo reforça uma tendência na ciência: resgatar saberes tradicionais e combiná-los com tecnologias avançadas. Se confirmadas em estudos futuros, essas nanopartículas à base de plantas podem se tornar uma ferramenta eficaz, acessível e sustentável para melhorar a vida de milhões de pessoas com diabetes em todo o mundo.
