O medicamento Tadalafila, tradicionalmente indicado para tratar disfunção erétil em homens, especialmente acima dos 40 anos, passou a ser consumido de forma recreativa por jovens no Brasil. Nas redes sociais, a substância ganhou o apelido de “tadala” e aparece em vídeos como se fosse uma solução para melhorar o desempenho sexual ou até como um suposto “pré-treino” para atividades físicas. Especialistas, porém, alertam que essas promessas não têm base científica e que o uso sem orientação médica pode trazer riscos à saúde.
Pesquisas indicam que muitos dos consumidores do medicamento não possuem diagnóstico de disfunção erétil. Uma revisão científica publicada em 2024 no Diversitas Journal, que analisou mais de 20 estudos realizados no Brasil e no exterior, apontou que os usuários pertencem a diferentes perfis sociais, sem um padrão específico. O que se repete, no entanto, é a compra do remédio sem prescrição médica, prática que aumenta os riscos de uso inadequado.
A tadalafila faz parte de um grupo de medicamentos conhecidos como inibidores da fosfodiesterase tipo 5, o mesmo da Sildenafila, popularizada pelo nome comercial Viagra. Essas substâncias atuam aumentando o fluxo sanguíneo no pênis para facilitar a ereção em pacientes com disfunção erétil de origem orgânica. Para homens que não apresentam o problema, porém, os especialistas afirmam que o medicamento não aumenta o tempo da relação sexual, não altera o tamanho do pênis nem melhora o desempenho de forma real.
Além da falta de benefícios comprovados, o uso inadequado pode provocar efeitos colaterais. Entre os mais comuns estão dor de cabeça, congestão nasal e vermelhidão no rosto, causados pela vasodilatação. Em situações mais graves, podem ocorrer alterações na pressão arterial, taquicardia, desmaios, perda temporária de visão ou audição e até complicações cardíacas. Outro risco é o priapismo, condição caracterizada por ereção prolongada e dolorosa que exige atendimento médico.
Os especialistas também alertam para impactos psicológicos. O uso recreativo pode gerar dependência emocional, já que muitos jovens passam a acreditar que só terão bom desempenho sexual com o medicamento. Segundo médicos e pesquisadores, fatores como ansiedade, pressão por performance e padrões irreais influenciados pela pornografia contribuem para esse comportamento. Diante disso, profissionais de saúde defendem campanhas educativas e reforçam que medicamentos para disfunção erétil devem ser utilizados apenas com prescrição e acompanhamento médico.
