
Falta um mês para a União Europeia suspender a importação de produtos de origem animal do Brasil. A medida entra em vigor no dia 3 de setembro e afetará principalmente as exportações de carne bovina, carne de frango e mel, alguns dos principais produtos brasileiros destinados ao bloco europeu.
A decisão foi anunciada em maio, após a União Europeia retirar o Brasil da lista de países considerados aptos a atender às novas exigências relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na pecuária. Segundo as autoridades europeias, a restrição não está ligada à qualidade sanitária da carne brasileira, mas ao sistema de controle adotado pelo país sobre essas substâncias.
O presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina, órgão consultivo do Ministério da Agricultura, André Bartocci, afirmou que a expectativa do setor é de que o mercado europeu permaneça fechado para a carne bovina brasileira por, pelo menos, dois anos.
Segundo Bartocci, a informação foi repassada durante uma reunião com integrantes do Ministério da Agricultura. Ele explica que esse prazo está relacionado ao ciclo produtivo do gado. Mesmo que os novos protocolos sobre o uso de antimicrobianos sejam adotados imediatamente, seriam necessários cerca de 24 meses para que os animais atendam completamente aos padrões exigidos pela União Europeia.
Ao g1, o Escritório de Saúde e Bem-Estar Animal da Comissão Europeia não confirmou o prazo de dois anos, mas informou que a retomada das exportações dependerá dos ciclos de produção dos animais e da adequação do Brasil às exigências estabelecidas pelo bloco.
Até o momento, o Ministério da Agricultura não se manifestou oficialmente sobre o assunto.
A decisão representa um novo desafio para o agronegócio brasileiro, que terá de adaptar seus protocolos para atender às normas europeias e recuperar o acesso a um dos mercados mais importantes para a exportação de produtos de origem animal.
