UFSCar desenvolve chips que podem aprender como o cérebro humano

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Imagem: Pixabay

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) estão desenvolvendo uma nova geração de dispositivos eletrônicos capazes de unir processamento de informações e memória em um mesmo componente. A tecnologia utiliza materiais como óxidos metálicos e busca reproduzir, de forma artificial, características do funcionamento do cérebro humano, com potencial para tornar equipamentos mais eficientes e consumir menos energia.

Os estudos são coordenados pelos pesquisadores Victor Lopez-Richard e Marcio Peron Franco de Godoy, do Departamento de Física da UFSCar. O trabalho envolve os chamados memristores, dispositivos que conseguem realizar operações lógicas e, ao mesmo tempo, guardar informações. Essa combinação reduz a necessidade de conexões entre diferentes componentes e pode contribuir para a criação de equipamentos menores e energeticamente mais eficientes.

A inspiração vem da chamada plasticidade sináptica, mecanismo pelo qual as conexões entre neurônios podem se fortalecer ou enfraquecer e, dessa maneira, participar dos processos de memória e aprendizado. Nos dispositivos desenvolvidos pela UFSCar, o armazenamento ocorre por meio de elétrons. Outra característica importante é que os componentes podem funcionar em temperatura ambiente, sem a necessidade de sistemas externos de resfriamento, reduzindo significativamente o gasto energético.

As pesquisas também utilizam óxido de zinco, material abundante e com menor impacto ambiental. Os estudos indicaram ainda que, nesses dispositivos, o aumento da temperatura pode melhorar o desempenho em velocidade e eficiência, comportamento diferente do observado em semicondutores convencionais. Os resultados foram destacados pela Revista Fapesp e publicados na revista científica Nature Communications, com pesquisas apoiadas pela Fapesp.