Tilápia pode entrar em lista de espécies invasoras e gera preocupação no setor

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Tilápia pode entrar em lista de espécies invasoras e gera preocupação no setor

A possível inclusão da tilápia na Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras voltou a gerar preocupação entre produtores e empresários do setor aquícola brasileiro.

A proposta da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) deve ser analisada a partir desta quarta-feira (27) e reacendeu o debate sobre os impactos ambientais e econômicos envolvendo o peixe mais cultivado do Brasil.

Apesar da repercussão, o governo federal afirma que a medida não significa proibição do consumo ou do cultivo da tilápia no país.

A espécie é considerada “exótica” por não ser nativa do Brasil. Originária da África, mais especificamente da bacia do rio Nilo, ela recebeu o nome científico de Oreochromis niloticus, popularmente conhecida como Tilápia-do-Nilo.

Já a classificação como “invasora” ocorre porque o peixe tem sido encontrado em rios e ambientes naturais fora das áreas autorizadas de produção, causando desequilíbrios ambientais, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

O temor dos produtores é que a inclusão na lista resulte em novas exigências ambientais, possíveis dificuldades para licenciamento e impactos nas exportações.

Representantes do setor afirmam que a medida pode encarecer a produção e gerar insegurança para milhares de produtores que dependem economicamente da atividade.

O diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), Jairo Gund, demonstrou preocupação com possíveis barreiras futuras impostas pelo Ibama.

O tema também provocou divergências dentro do próprio governo federal. Enquanto o Ministério do Meio Ambiente defende a classificação por questões ambientais, os ministérios da Agricultura e da Pesca avaliam que a decisão pode prejudicar o setor produtivo.

A diretora do Departamento de Aquicultura em Águas da União, Juliana Lopes da Silva, chegou a afirmar que comparar tilápia com outras espécies invasoras, como o javali, seria uma medida desproporcional.

Mesmo diante da polêmica, o Ministério do Meio Ambiente reforçou que a lista funciona principalmente como referência técnica para políticas públicas e ações de controle ambiental, sem determinar automaticamente o fim do cultivo da espécie no Brasil.

Enquanto isso, produtores acompanham o caso com atenção, temendo impactos em um mercado que movimenta bilhões de reais e faz da tilápia um dos peixes mais consumidos pelos brasileiros.