A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados, anunciada para vigorar a partir de 1º de agosto de 2025, ameaça desestabilizar o agronegócio brasileiro, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP. Setores como suco de laranja, café, carne bovina e frutas frescas, especialmente manga e uva, enfrentam riscos de perda de competitividade, estoques acumulados e queda nos preços pagos aos produtores.
O suco de laranja, que já arca com uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada, é o mais vulnerável. O Brasil, responsável por 80% do suco importado pelos EUA, pode perder espaço no mercado americano, segundo maior destino do produto. “Com a sobretaxa, o custo de entrada nos EUA pode comprometer nossa competitividade, especialmente em um ano de safra robusta, com 314,6 milhões de caixas previstas para 2025/26”, afirmou a professora Margarete Boteon, especialista em citros do Cepea.
No setor cafeeiro, os EUA, maior consumidor global, importam 25% de sua demanda do Brasil, principalmente café arábica. A tarifa pode encarecer a cadeia de fornecimento, impactando torrefadoras e cafeterias americanas. “Excluir o café das tarifas é crucial para ambos os países”, destacou Renato Ribeiro, pesquisador do Cepea.
A carne bovina, com os EUA como segundo maior comprador (12% das exportações brasileiras), também enfrenta incertezas, apesar de volumes recordes exportados entre março e abril. Já as frutas frescas, como manga e uva, sofrem com a postergação de embarques devido à indefinição tarifária, o que pode saturar o mercado interno e pressionar preços.
O Cepea alerta que a diplomacia brasileira precisa agir rapidamente para negociar a exclusão ou redução das tarifas. “Essas medidas são vitais não só para o Brasil, mas também para a segurança alimentar dos EUA, que depende fortemente de nossos produtos”, concluiu a nota do centro.
