Tabagismo perde força no Brasil, mas ritmo lento preocupa autoridades de saúde

cigarro
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O número de fumantes no Brasil segue em trajetória de queda, mas o avanço tem sido mais lento nos últimos anos. Dados analisados a partir de levantamentos do Ministério da Saúde, por meio do sistema Vigitel, indicam que a proporção de adultos que utilizam produtos derivados do tabaco diminuiu de forma significativa desde meados dos anos 2000, porém perdeu intensidade a partir de 2015.

De acordo com o estudo publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, a tendência atual aponta que o país pode não atingir a meta estabelecida para o fim da década. A projeção indica que, mantendo o ritmo recente, o percentual de fumantes em 2030 deve permanecer acima do objetivo previsto nas políticas nacionais de controle das doenças crônicas.

Especialistas atribuem essa desaceleração a uma combinação de fatores. Entre eles estão o enfraquecimento de campanhas públicas, a redução de investimentos em ações de prevenção e a ausência de novas medidas regulatórias mais rígidas. Além disso, o crescimento do uso de dispositivos eletrônicos para fumar tem sido apontado como um desafio adicional no combate ao tabagismo.

Outro ponto de atenção é o aumento do consumo entre jovens. Levantamentos nacionais mostram que o uso de produtos relacionados ao tabaco cresceu entre adolescentes nos últimos anos, acendendo um alerta para a necessidade de estratégias específicas voltadas a esse público, especialmente diante da popularização dos cigarros eletrônicos.

Mesmo com a redução gradual no número de fumantes, o impacto do tabagismo ainda é expressivo no país. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, a prática está associada a milhares de mortes todos os anos, além de gerar elevados custos econômicos e pressionar o sistema de saúde, reforçando a importância de políticas contínuas e mais eficazes de controle.