O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá ampliar, nos próximos anos, as opções de tratamento para pacientes com obesidade. O Ministério da Saúde acompanha estudos e projetos-piloto que avaliam a utilização de medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, como a semaglutida, princípio ativo presente em remédios utilizados para controle da obesidade e do diabetes tipo 2.
O tema voltou ao centro das discussões após o início de programas experimentais em hospitais públicos brasileiros. A iniciativa busca analisar os resultados clínicos, a segurança dos pacientes e o impacto financeiro que uma eventual incorporação desses medicamentos poderia causar ao sistema público de saúde.
Atualmente, medicamentos como Wegovy e Ozempic não fazem parte da lista nacional de medicamentos fornecidos regularmente pelo SUS. Em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) chegou a recomendar que a semaglutida e a liraglutida não fossem incorporadas à rede pública naquele momento, principalmente devido ao alto custo do tratamento e às análises de custo-benefício.
Apesar disso, o cenário vem mudando. Projetos desenvolvidos em parceria com instituições públicas e a indústria farmacêutica começaram a oferecer o tratamento gratuitamente para grupos específicos de pacientes com obesidade grave, acompanhados por equipes multidisciplinares compostas por médicos, nutricionistas e psicólogos.
Especialistas destacam que a obesidade é considerada uma doença crônica e está associada a diversos problemas de saúde, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Por isso, defensores da medida argumentam que o acesso aos medicamentos poderia reduzir complicações futuras e gerar economia para o sistema de saúde no longo prazo.
Por outro lado, há preocupações relacionadas ao custo da distribuição em larga escala e aos possíveis efeitos colaterais. Neste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou o monitoramento das chamadas canetas emagrecedoras e alertou para riscos associados ao uso inadequado dos medicamentos, incluindo casos de pancreatite aguda. A agência ressalta que esses remédios devem ser utilizados apenas com prescrição médica e acompanhamento profissional.
Enquanto os estudos avançam, o Ministério da Saúde ainda não definiu uma data para uma eventual incorporação nacional dos medicamentos ao SUS. A expectativa é que os resultados dos projetos em andamento ajudem a embasar futuras decisões sobre a oferta das chamadas canetas emagrecedoras na rede pública.
Caso a medida seja aprovada futuramente, o Brasil poderá ampliar as alternativas de tratamento para milhões de pessoas que convivem com a obesidade, uma condição que cresce de forma significativa em todo o país.
