Sem lugar para fugir do calor: Brasil pode enfrentar seis ondas de calor até o fim do ano

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Sem lugar para fugir do calor: Brasil pode enfrentar seis ondas de calor até o fim do ano

O Brasil deve enfrentar cerca de seis ondas de calor entre setembro e dezembro, segundo estimativa baseada em levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). E o cenário pode ser ainda mais intenso diante da previsão de um El Niño de forte intensidade.

Uma onda de calor não significa apenas um dia muito quente. O fenômeno ocorre quando, por pelo menos três dias consecutivos, as temperaturas máximas e mínimas permanecem excepcionalmente acima do normal, fazendo com que o calor persista inclusive durante as noites.

A estimativa foi obtida a partir da análise de 47 anos de registros de temperatura, observando o comportamento das ondas de calor em períodos de El Niño.

Segundo Mabel Calim Costa, pesquisadora do Cemaden responsável pelo levantamento, seis episódios representam uma média e o número pode aumentar. No último El Niño, o Brasil chegou a registrar nove ondas de calor.

Outro alerta é que esses eventos estão ficando não apenas mais frequentes, mas também mais abrangentes. Se nas décadas de 1980 e 1990 os episódios extremos eram mais raros e concentrados em determinadas regiões, nas últimas décadas passaram a atingir grandes áreas do país simultaneamente.

Para setembro, as projeções já indicam temperaturas acima da média em praticamente todo o território brasileiro, com algumas áreas podendo registrar valores até 3°C superiores ao esperado para o período.

Além do desconforto, o calor extremo pode trazer consequências importantes. Ele favorece a perda de umidade do solo, agrava períodos de seca e aumenta o risco de incêndios. Atualmente, 157 municípios brasileiros já enfrentam seca severa, enquanto 560 estão classificados em situação de alto risco de fogo.

Os efeitos também podem chegar ao bolso. Eventos climáticos associados a um El Niño intenso podem prejudicar a produção agropecuária e pressionar os preços dos alimentos nos meses seguintes.

Ainda não é possível determinar quando ocorrerá a primeira onda de calor, mas o cenário para os próximos meses reforça o alerta: o brasileiro poderá enfrentar uma primavera marcada por sucessivos períodos de temperaturas extremas.