A China acelerou como poucos países a corrida pelos robôs humanoides, com máquinas capazes de caminhar, manipular objetos e aprender tarefas cada vez mais complexas. Mas por trás do crescimento impressionante do setor, uma questão começa a preocupar investidores: existe demanda real para tantos robôs?
Nos últimos dois anos, quase 370 startups de robótica foram criadas no país. Mais de 50 já abriram capital ou estão se preparando para isso, enquanto projeções apontam para cerca de 50 mil robôs humanoides enviados somente em 2026.
O detalhe curioso está em quem compra boa parte dessas máquinas.
Grande parte da receita dos fabricantes ainda vem de centros de treinamento apoiados por governos locais chineses. Esses locais compram os humanoides, colocam pessoas para ensiná-los a executar tarefas e depois vendem os dados obtidos no treinamento para as próprias fabricantes.
Mais de 90 centros desse tipo já estavam funcionando ou sendo construídos na China até junho.
O sistema ajuda a acelerar o desenvolvimento tecnológico, mas também cria dúvidas sobre quanto das vendas representa uma procura genuína de empresas que realmente pretendem utilizar os robôs em fábricas e outras atividades.
Apesar das incertezas, a estratégia chinesa tem precedentes. Carros elétricos e painéis solares também receberam forte incentivo estatal em seus primeiros anos, e hoje a China ocupa posição dominante nesses mercados.
Para os robôs humanoides, porém, o próximo passo será decisivo: sair dos centros de treinamento e provar que conseguem trabalhar em larga escala no mundo real.
Se isso acontecer, todo esse investimento pode colocar a China novamente na liderança de uma indústria do futuro. Caso contrário, o atual entusiasmo em torno dos humanoides pode estar crescendo mais rápido que a própria necessidade de utilizá-los.
