
A reforma tributária avança no Brasil e já provoca forte reação no setor aéreo. Para o CEO da LATAM Brasil, Jerome Cadier, o novo modelo pode elevar custos, pressionar as tarifas e reduzir a demanda por viagens.
Durante evento do setor, em junho, Cadier classificou o possível impacto como uma “bomba atômica” e um “desastre”. Segundo ele, a LATAM recolhe hoje cerca de R$ 2 bilhões por ano em tributos. Com a implementação completa da reforma, esse valor poderia chegar a R$ 6 bilhões.
Na avaliação do executivo, parte desse aumento acabaria repassada aos passageiros por meio das tarifas.
Aviação no centro da discussão
A reforma cria gradualmente o IBS e a CBS, que substituirão tributos atuais sobre o consumo. A transição começou em 2026 e será concluída em 2033.
A IATA trabalha com uma alíquota de referência próxima de 26,5% para o novo IVA e alerta para possíveis efeitos negativos sobre a acessibilidade das viagens. A entidade estima que mudanças na tributação dos bilhetes internacionais poderiam retirar até 3,6 milhões de viagens do mercado.
O governo defende a reforma como uma forma de simplificar o sistema, aumentar a transparência e melhorar o ambiente econômico. O setor aéreo, porém, teme que o aumento da carga prejudique justamente a expansão da conectividade e do turismo.
A conta pode chegar ao passageiro
O alerta é especialmente relevante porque a aviação trabalha com forte sensibilidade aos preços. Tarifas mais elevadas podem fazer consumidores desistirem de viagens de lazer, negócios ou visitas familiares.
O impacto também pode se espalhar para hotéis, restaurantes, transporte, agências de turismo e comércio. Menos passageiros significam menos circulação de dinheiro em toda essa cadeia.
Cadier resume sua preocupação apontando que, no fim, quem absorve o aumento tende a ser o consumidor. Isso não significa que todo o acréscimo tributário será automaticamente convertido em aumento equivalente nas passagens, já que preços também dependem de concorrência, demanda, combustível, câmbio e custos operacionais.
Como a reforma ainda está em período de transição, o debate está longe de terminar. O desafio será encontrar um modelo que simplifique a tributação sem transformar o passageiro em vítima de custos que podem comprometer a aviação e toda a cadeia econômica ligada às viagens.
