O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu acionar a Justiça contra o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), após declarações em que classificou a sigla como “narcoafetiva”. A fala foi feita durante um evento na capital paulista e gerou reação imediata do partido.
Ao comentar uma pergunta sobre o possível retorno de venezuelanos ao país de origem após a prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, Ramuth criticou o PT e afirmou que o Brasil viveria sob um Estado que, segundo ele, demonstraria tolerância com o crime organizado. Posteriormente, o vice-governador reafirmou o uso do termo, alegando que se tratava de uma crítica política e retórica à postura pública do partido em relação às drogas e à criminalidade.
A iniciativa judicial integra uma estratégia do PT para rebater acusações de conivência com o tráfico. Em 2024, o partido já havia enfrentado desgaste após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre traficantes, que geraram interpretações negativas.
As declarações ocorreram durante um evento em que também estavam presentes autoridades municipais. Na ocasião, Ramuth afirmou que São Paulo deve estar preparada para receber imigrantes quando há crises em países vizinhos, mas avaliou que, com a mudança no cenário político venezuelano, a tendência seria de retorno dos cidadãos ao país de origem.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também comentou o tema e disse esperar que a prisão de Nicolás Maduro reduza o fluxo migratório. Ainda assim, ressaltou que a cidade continuará acolhendo venezuelanos caso haja nova chegada de refugiados.
No cenário internacional, a prisão de Maduro ocorreu após uma operação dos Estados Unidos em Caracas. Com a detenção do líder venezuelano, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente o comando do país. Integrantes da oposição, como María Corina Machado, criticaram a nova gestão e anunciaram intenção de retornar à Venezuela, apontando acusações de violações de direitos humanos e envolvimento com corrupção e narcotráfico.
