A abertura do julgamento da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), iniciada na terça-feira (2), coincidiu com uma crescente mobilização em Brasília pela aprovação de uma anistia a Jair Bolsonaro, com impactos nos três Poderes e reflexos nas eleições de 2026. Enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defende um projeto que reduz penas apenas para condenados pelos atos de 8 de Janeiro, sem incluir lideranças, partidos do centrão e da oposição afirmam ter apoio suficiente na Câmara para um perdão amplo, abrangendo todos os envolvidos.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chegou à capital federal esta semana para liderar as articulações pró-anistia, fortalecendo sua pré-candidatura presidencial. No entanto, a inelegibilidade de Bolsonaro, decorrente de condenações na Justiça Eleitoral, permaneceria. Líderes do centrão estimam cerca de 300 votos na Câmara para aprovar a anistia ampla, que poderia evitar a prisão do ex-presidente, cujo julgamento, envolvendo ele e outros sete réus, deve ser concluído até 12 de setembro, com penas que podem ultrapassar 40 anos.
PP, União Brasil e Republicanos encabeçam a pressão, enquanto Alcolumbre propõe um texto alternativo, elaborado por Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que pouparia apenas os executores dos atos golpistas. Esse projeto, embora bem-visto por alguns ministros do STF, enfrenta resistência de bolsonaristas, que exigem a inclusão de Bolsonaro. Há negociações por um meio-termo, que poderia garantir apoio de parte do STF para evitar a inconstitucionalidade da proposta.
No Congresso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enfrenta pressão para pautar a votação, com possibilidade de análise de um requerimento de urgência na próxima semana. No governo Lula, a anistia é vista como “impunidade”, e aliados planejam mobilizar a opinião pública contra o projeto. O presidente Lula, em reunião com líderes do União Brasil e Alcolumbre, reforçou sua oposição, alertando que a medida seria uma “rendição” a pressões externas, incluindo do presidente dos EUA, Donald Trump.
No STF, a declaração do presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, de que anistia antes do julgamento é inviável, mas pode ser uma questão política após a sentença, foi criticada internamente. Apesar disso, alguns ministros veem a proposta de Alcolumbre como mais viável, enquanto a articulação de Tarcísio intensifica o apoio à anistia ampla. O líder do PT, Lindbergh Farias, criticou a movimentação, atribuindo-a à estratégia de Tarcísio para consolidar sua candidatura junto ao centrão e ao bolsonarismo.
