Preso custa quase o dobro do salário mínimo ao Brasil

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Preso custa quase o dobro do salário mínimo ao Brasil

Manter uma pessoa no sistema prisional brasileiro custa, em média, R$ 2.637,75 por mês, segundo dados de 2025 reunidos pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, a Senappen. O valor chama atenção porque supera em cerca de 74% o salário mínimo daquele ano, que era de R$ 1.518. A própria Senappen mantém um painel específico para acompanhar os custos do sistema prisional.

Mas a conta não é igual em todo o país. O Amapá aparece com o maior custo médio, de R$ 4.512 por preso, seguido pela Bahia, com R$ 4.011, e Minas Gerais, com R$ 3.824. Na outra ponta está o Paraná, com R$ 1.529 mensais. São números que mostram como a estrutura, o modelo de gestão e as despesas de cada estado podem produzir diferenças bastante grandes.

O gasto também vem crescendo. Em 2025, as despesas com o sistema prisional chegaram a R$ 26,7 bilhões, o maior valor dos últimos seis anos. São Paulo concentrou a maior parcela, com R$ 5,9 bilhões, seguido por Minas Gerais, com R$ 3,6 bilhões, e Paraná, com R$ 1,7 bilhão. A Senappen disponibiliza dados periódicos sobre o sistema, incluindo informações sobre estabelecimentos, população carcerária e custos.

E aqui está a pergunta que precisa ser feita: quanto o Brasil gasta para prender e, principalmente, o que está fazendo para que essas pessoas não voltem ao crime? Alimentação, segurança, servidores, transporte, saúde, tecnologia e manutenção são despesas necessárias, mas o debate não pode terminar na construção de celas. O desafio é fazer o dinheiro público também produzir ressocialização, trabalho, educação e redução da reincidência. Afinal, um sistema prisional caro que não consegue diminuir a criminalidade acaba transformando o gasto em uma conta permanente para toda a sociedade.