Um pequeno grupo de parlamentares concentrou uma parcela significativa das emendas de comissão ao Orçamento no último ano. Ao todo, sete deputados foram responsáveis por indicar cerca de R$ 1,5 bilhão, dentro de um total de R$ 7,5 bilhões distribuídos por esse tipo de recurso.
Enquanto isso, a maior parte dos deputados — mais de 400 — dividiu os valores restantes, com uma média bem inferior por parlamentar. Outros 83 não registraram indicações formais, embora possam ter sido contemplados por meio de lideranças partidárias.
As emendas de comissão são propostas pelos colegiados do Congresso, que indicam onde os recursos devem ser aplicados. Cabe ao governo federal decidir sobre a execução, mas não há possibilidade de redirecionamento para outras finalidades.
Até recentemente, esse tipo de verba não tinha transparência sobre seus autores. A identificação dos responsáveis pelas indicações passou a ser obrigatória após decisões do Supremo Tribunal Federal, permitindo maior rastreabilidade dos recursos.
Entre os parlamentares com maior volume indicado, destacam-se nomes que ocupam cargos estratégicos, como presidências de comissões e lideranças partidárias. Parte dos recursos foi direcionada a áreas como saúde e infraestrutura, principalmente em bases eleitorais.
Apesar das mudanças nas regras, ainda há críticas sobre a forma de distribuição das emendas. Parlamentares apontam desigualdade no acesso aos recursos e questionam mecanismos que permitem indicar verbas em nome de lideranças, o que pode dificultar a identificação do autor real das indicações.
