A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa em Roma após ser incluída na lista vermelha da Interpol, pode enfrentar um processo de extradição que pode durar até dois anos, segundo sua defesa. A informação foi confirmada pelo advogado Fábio Paggnozzi, que representa a parlamentar.
A Embaixada do Brasil na Itália já formalizou o pedido de extradição. Enquanto isso, Zambelli permanece detida no presídio feminino de Rebibbia, na periferia de Roma, após passar a primeira noite em uma delegacia da capital italiana. O local é um dos maiores complexos penitenciários da Europa.
Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por falsidade ideológica e invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a deputada deve ter seu caso inicialmente analisado pelo Ministério da Justiça da Itália. A pasta pode arquivar o pedido ou manter a prisão provisória.
A defesa de Zambelli argumenta que ela é vítima de perseguição política, tese que será apresentada às autoridades italianas. O Ministério da Justiça italiano, mesmo com parecer favorável do Judiciário, terá a palavra final e pode negar a extradição por razões políticas. A afinidade ideológica entre o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni e aliados de Zambelli pode influenciar o desfecho.
Mesmo com extradição autorizada, a defesa ainda poderá recorrer a instâncias administrativas. No Brasil, um eventual processo de cassação de mandato deverá passar pelo plenário da Câmara dos Deputados.
