Na manhã desta segunda-feira, 13 de abril, a Prefeitura de São Carlos recebeu, no Paço Municipal, representantes do Sindicato dos Servidores Públicos e Autárquicos Municipais (SINDSPAM) e uma comissão de servidores em greve para discutir uma contraproposta da categoria. Durante o encontro, os representantes sindicais apresentaram a proposta de reajuste de 7%, sendo 3,81% referentes à recomposição da inflação medida pelo IPCA e 3,19% de ganho real. Também foi defendida a manutenção da cesta básica atualmente oferecida, descartando a substituição por vale-alimentação de R$ 400,00, além da postergação do debate sobre o Plano de Carreira para 2027. Os pleitos seguem em análise pela Administração Municipal.
Por sua vez, a Prefeitura destacou benefícios já assegurados ao funcionalismo, como o tíquete-refeição de R$ 1.260,00 mensais, o descongelamento do tempo de serviço suspenso pela Lei Complementar 173/2020 com pagamento retroativo, o pagamento integral do vale-alimentação durante licenças maternidade e paternidade, a possibilidade de conversão de um terço das férias em pecúnia — inclusive em períodos vencidos — e a manutenção da folga no dia do aniversário. O impacto financeiro estimado dessas medidas inclui R$ 22,7 milhões em reajuste salarial, R$ 5,3 milhões em tíquete-refeição, além de outros custos relacionados a benefícios e à futura implementação do Plano de Carreira, estimada em R$ 16 milhões anuais.
Uma audiência de conciliação entre as partes está marcada para quinta-feira, 16 de abril, às 14h, no Tribunal de Justiça de São Paulo, na capital paulista. A Prefeitura afirma que mantém diálogo permanente com os servidores, buscando garantir a continuidade dos serviços públicos.
De acordo com levantamento do primeiro dia de paralisação, na área da saúde, dos 1.248 servidores, 118 aderiram à greve. Apesar disso, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o SAMU seguem operando normalmente, sem registro de falta de profissionais. Já na Educação, dos 1.642 professores da rede municipal, 803 aderiram à greve, assim como 99 das 144 merendeiras em atividade. Outros setores também registraram adesão, como o SAAE (20 servidores), a FESC (1), a Fundação Pró-Memória (2) e a Secretaria de
Desenvolvimento Rural e Bem-Estar Animal (3).
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo determinou, por decisão do desembargador Luís Francisco Aguilar Cortez, que a paralisação não pode resultar na interrupção total dos serviços públicos, estabelecendo a manutenção de pelo menos 70% dos servidores em atividade, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. Também foi autorizado o corte de ponto e o desconto salarial dos dias não trabalhados, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal.
