O dia 22 de abril de 1500, associado à chegada dos portugueses ao território brasileiro, já foi considerado uma data mais relevante no calendário cívico do país. No entanto, ao longo do tempo, deixou de ser tratado como feriado nacional e uma das razões históricas para isso está ligada ao período do governo de Getúlio Vargas.
Durante a era de Getúlio Vargas, houve uma reorganização simbólica e política das datas comemorativas nacionais. O governo buscava fortalecer uma identidade nacional mais voltada para a construção do Estado moderno e para marcos políticos considerados mais representativos da soberania brasileira, como a Independência (7 de setembro) e a Proclamação da República (15 de novembro).
Nesse contexto, o 22 de abril perdeu espaço porque não representava um momento de autonomia nacional, mas sim o início do processo de colonização portuguesa. A valorização dessa data como feriado não se alinhava ao projeto nacionalista do governo, que priorizava eventos ligados à emancipação política do país.
Além disso, o período do Estado Novo (1937–1945), também sob liderança de Vargas, foi marcado por um forte controle sobre símbolos nacionais e pela tentativa de unificar a identidade brasileira. Datas que não reforçavam diretamente essa narrativa foram gradualmente deixadas de lado no calendário oficial.
Com o passar dos anos, essa mudança se consolidou. O “Descobrimento do Brasil” deixou de ser institucionalizado como feriado e passou a ter um caráter mais educativo e reflexivo, especialmente diante de novas interpretações históricas que questionam o próprio termo “descobrimento” e destacam a presença indígena anterior à chegada dos europeus.
Assim, a retirada de relevância da data não foi um ato isolado, mas parte de um processo mais amplo de redefinição dos símbolos nacionais durante o governo Vargas cujos efeitos permanecem até hoje no calendário brasileiro.
