Polilaminina entra em nova etapa e começa testes clínicos com pacientes na próxima semana

image 120
Polilaminina entra em nova etapa e começa testes clínicos com pacientes na próxima semana

Uma pesquisa brasileira que há mais de 20 anos busca uma alternativa para pessoas com lesões graves na medula espinhal dará um passo importante na próxima quinta-feira (24). A polilaminina entrará em uma nova etapa de estudos clínicos, inicialmente com cinco pacientes em São Paulo.

O estudo de fase 1 foi autorizado pela Anvisa em janeiro e terá como principal objetivo avaliar a segurança da aplicação, e não comprovar neste momento se a substância é capaz de recuperar movimentos. Participarão pacientes entre 18 e 72 anos, com lesão aguda completa da medula torácica, entre as vértebras T2 e T10, ocorrida há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica.

Os procedimentos serão realizados no Hospital das Clínicas e na Santa Casa de São Paulo. A polilaminina será administrada em dose única diretamente na região lesionada da medula. Depois, os participantes serão acompanhados durante seis meses, enquanto pesquisadores monitoram possíveis efeitos adversos.

A expectativa em torno da substância vem de uma pesquisa iniciada há mais de duas décadas pela professora Tatiana Coelho Sampaio e sua equipe, na UFRJ. O Laboratório Cristália conheceu o trabalho em 2018 e firmou parceria com a universidade em 2021 para desenvolver e produzir a substância em escala. Segundo a empresa, aproximadamente R$ 100 milhões já foram investidos no projeto.

A polilaminina é produzida a partir da laminina, proteína encontrada naturalmente no organismo. Na formulação estudada, a matéria-prima é extraída de placentas humanas. Estudos investigam sua capacidade de criar uma estrutura favorável à reconexão dos axônios, responsáveis pela transmissão dos sinais nervosos. A própria Anvisa ressalta, porém, que seu mecanismo de ação para tratar lesões da medula ainda não está totalmente esclarecido.

Resultados anteriores despertaram atenção, mas ainda não permitem afirmar que a polilaminina seja eficaz. É justamente por isso que o novo estudo é importante: caso a fase 1 demonstre um perfil de segurança adequado, o desenvolvimento poderá avançar para fases posteriores, com mais participantes, destinadas a investigar e comprovar a eficácia.

Por enquanto, a polilaminina continua sendo experimental, não possui registro como medicamento e não está à venda. O Cristália afirma ser atualmente o único produtor mundial da substância e alerta para possíveis golpes envolvendo pessoas que prometem vender ou facilitar seu acesso.