Um medicamento experimental contra o câncer de pâncreas que levou médicos às lágrimas e provocou uma ovação durante o maior congresso de oncologia do mundo acaba de alcançar uma etapa histórica. A FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou nesta quarta-feira (26) o daraxonrasib, comercializado no país como Rasonque.
O medicamento é uma pílula de uso diário e foi autorizado para determinados adultos com adenocarcinoma pancreático metastático que já receberam pelo menos um tratamento sistêmico ou que não podem receber uma combinação de diferentes medicamentos sistêmicos.
A expectativa em torno do tratamento cresceu após a apresentação dos resultados do estudo de fase 3 RASolute 302, que envolveu 500 pacientes. Em junho, durante o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), os resultados provocaram uma rara ovação de pé entre médicos e pesquisadores presentes.
Os números ajudam a explicar a reação. No estudo, pacientes tratados com daraxonrasib tiveram sobrevida mediana de 13,2 meses, contra 6,7 meses entre aqueles que receberam quimioterapia — praticamente o dobro.
O medicamento atua sobre proteínas da família RAS, envolvidas no crescimento dos tumores. Mutações nessa via estão presentes em mais de 90% dos casos de adenocarcinoma ductal pancreático, e durante muitos anos esse alvo foi considerado extremamente difícil de atingir com medicamentos.
Apesar do avanço, é importante destacar que o Rasonque não representa uma cura para o câncer de pâncreas. A aprovação oferece uma nova alternativa para um grupo específico de pacientes com doença metastática.
A decisão também aconteceu rapidamente: segundo a FDA, a análise foi concluída mais de seis meses antes do prazo inicialmente previsto.
Por enquanto, a autorização é válida nos Estados Unidos. Não significa que o medicamento já esteja aprovado ou disponível para pacientes no Brasil.
