O humorista, ator e apresentador Fábio Porchat voltou ao centro de uma polêmica política e religiosa após um projeto apresentado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) tentar declará-lo “persona non grata” no estado. A proposta foi protocolada pelo deputado estadual Rodrigo Amorim e recebeu aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), seguindo agora para votação em plenário.
A reação de Porchat veio rapidamente nas redes sociais, e em tom de deboche. Em vídeo publicado no Instagram, o apresentador ironizou a situação e afirmou que se sentiu “honrado” por ter sido lembrado pelos parlamentares. Com humor característico, disse que, depois de mais de duas décadas de carreira e diversos prêmios, não imaginava que chegaria ao ponto de “ter deputado irritado” com ele.
A iniciativa contra o artista surgiu após críticas de parlamentares conservadores a conteúdos humorísticos produzidos por Porchat envolvendo religião, além de vídeos antigos em que ele faz críticas e ofensas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso reacendeu o debate sobre liberdade de expressão, humor político e os limites entre sátira e ofensa religiosa.
Nos últimos anos, Porchat já esteve envolvido em outras controvérsias semelhantes. Em 2019, o especial de Natal do grupo Porta dos Fundos gerou forte reação de grupos religiosos e até ataques à sede da produtora no Rio de Janeiro. Na época, o episódio teve repercussão internacional e levantou discussões sobre intolerância e censura artística.
Embora o título de “persona non grata” tenha caráter simbólico e não gere efeitos legais diretos, a medida costuma ser usada como forma de reprovação pública. A proposta na Alerj ocorre em meio ao aumento da polarização política e cultural no país, cenário em que artistas, influenciadores e humoristas frequentemente se tornam alvos de disputas ideológicas.
Até o momento, a Assembleia Legislativa do Rio ainda não definiu a data da votação definitiva do projeto em plenário.
