Uma pesquisa desenvolvida por cientistas do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Embrapa Instrumentação e Universidade Federal de Ouro Preto, trouxe resultados animadores na busca por novos tratamentos contra o câncer de ovário.
O estudo, publicado na revista científica internacional ACS Omega, identificou compostos metálicos à base de cobre com elevado potencial antitumoral. Em testes realizados em laboratório, uma das substâncias apresentou desempenho superior ao da cisplatina, um dos medicamentos mais utilizados atualmente nos tratamentos quimioterápicos.
Os pesquisadores desenvolveram cinco versões dos compostos e avaliaram seus efeitos em células de diferentes tipos de câncer, incluindo ovário, pulmão e mama. Entre os resultados obtidos, o destaque ficou para a atuação contra o câncer de ovário, considerada mais eficiente do que a observada com a cisplatina.
Segundo o estudo, o composto atua diretamente em mecanismos essenciais para a sobrevivência das células cancerígenas. Além de reduzir a proliferação tumoral, a substância interfere na formação de novas colônias celulares e provoca alterações internas capazes de levar à destruição das células do câncer.
Outro resultado considerado promissor foi a capacidade de ação mesmo em baixas concentrações. Nesses níveis, o composto já demonstrou reduzir significativamente a formação de novas colônias tumorais, característica que pode ser importante para impedir o avanço da doença.
A pesquisa também investigou a interação dessas substâncias com o DNA e outros processos biológicos fundamentais, ampliando a compreensão sobre o potencial terapêutico dos compostos.
Apesar dos resultados animadores, os cientistas ressaltam que o estudo ainda está em fase inicial. Todos os testes foram realizados em ambiente laboratorial e os próximos passos incluem avaliações mais complexas em organismos vivos para verificar a segurança e a eficácia dos compostos.
Os pesquisadores destacam que o trabalho representa um avanço importante na busca por terapias mais eficazes contra o câncer, mas reforçam que ainda serão necessários vários anos de estudos antes que uma eventual medicação possa chegar aos pacientes.
A pesquisa foi assinada pelos cientistas Alexandre B. de Carvalho, Marcos V. Palmeira-Mello, Paulo N. de Souza, Saulo H. Mendes Abe, José Balena G. Filho, Marcelo B. Andrade, Rodrigo S. Corrêa, Alzir A. Batista e Javier Ellena. Parabéns aos envolvidos!
