Seis advogados foram presos durante a Operação “Entre Lobos”, uma ação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) envolvendo cinco estados. A operação resultou no cumprimento de 13 mandados de prisão e 35 de busca e apreensão, além do bloqueio de até R$ 32 milhões em contas e da apreensão de 25 veículos.
A investigação, liderada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), aponta que 17 pessoas integram uma quadrilha acusada de fraudar mais de mil idosos, causando prejuízo estimado em dezenas de milhões de reais. Até o momento, 215 vítimas foram identificadas, com perdas de pelo menos R$ 5 milhões, mas o dano total pode ultrapassar R$ 30 milhões. A média de idade das vítimas é de 69 anos.
Os alvos da operação, realizada em 13 cidades de Alagoas, Bahia, Ceará, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, enfrentam acusações de formação de organização criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro e patrocínio infiel – prática em que advogados traem a confiança de clientes. Cinco dos detidos, considerados líderes do esquema, foram capturados em Fortaleza (2), Salvador (2) e Chapecó (1), incluindo um apontado como o principal articulador, responsável pela operação digital da rede.
O golpe envolvia a abordagem de idosos em residências, vias públicas ou pela internet, via um falso Instituto de Defesa do Aposentado e Pensionista (IDAP). As vítimas eram induzidas a assinar contratos de cessão de créditos judiciais por valores irrisórios, redirecionados a empresas de fachada como Ativa Precatórios (Pinhalzinho/SC) e BrasilMais Precatórios (Fortaleza). Documentos apreendidos mostram que menos de 10% dos valores recuperados judicialmente eram repassados aos clientes. Em um caso, uma vítima que tinha direito a R$ 146.327,17 recebeu apenas R$ 2,5 mil, enquanto em Fortaleza, de R$ 5,1 milhões liberados, apenas R$ 503.750 chegaram às vítimas.
A ação contou com o acompanhamento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), respeitando prerrogativas profissionais. O MPSC segue em busca de novas vítimas e orienta denúncias à Promotoria de Justiça de Modelo (SC) via WhatsApp (49) 99200-7462, e-mail [email protected] ou telefones (48) 3229-9306 e 127 (9h30 às 19h).
