
Uma mulher de 62 anos foi resgatada de uma situação de trabalho análogo à escravidão em um imóvel localizado em um condomínio de alto padrão no município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. A operação foi realizada na última quinta-feira (2) por auditores-fiscais do Trabalho, com apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal.
De acordo com a investigação, a vítima trabalhava para a mesma família desde 1971, quando tinha apenas sete anos de idade. Ao longo de aproximadamente 55 anos, ela teria prestado serviços domésticos para três gerações da família sem receber salário mensal regular, sem registro em carteira e sem acesso aos direitos trabalhistas básicos. A fiscalização apontou ainda que a mulher vivia em situação de dependência econômica e social, com restrição de oportunidades e dedicação exclusiva às atividades da residência.
Os auditores constataram que a rotina começava por volta das 4h30 da manhã, incluindo o preparo das refeições, limpeza da casa e cuidados com crianças da família. Segundo os órgãos responsáveis pela fiscalização, o conjunto das condições encontradas caracterizou grave violação à dignidade da trabalhadora.
Após o resgate, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho. Entre as medidas previstas estão o pagamento de verbas rescisórias, a regularização dos recolhimentos previdenciários referentes ao período reconhecido e a aquisição de um imóvel em favor da trabalhadora. A Auditoria-Fiscal do Trabalho estima que os direitos trabalhistas devidos ultrapassem R$ 1,5 milhão. A identidade dos empregadores não foi divulgada.
