Movimentações no Paraná expõem tensão entre PL, Moro e grupo de Ratinho Jr.

Sergio Moro é absolvido por unanimidade pelo TSE
Foto: Gabriela Biló / Estadão Conteúdo

A possível candidatura do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), à Presidência da República abriu uma nova frente de articulação política no Estado. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a admitir apoio ao senador Sergio Moro (União Brasil-PR) na disputa pelo governo paranaense, caso Ratinho confirme a entrada na corrida ao Palácio do Planalto. Nos bastidores, também é discutida uma eventual filiação de Moro ao PL, diante das dificuldades que ele enfrenta para consolidar sua candidatura na atual legenda.

O movimento ameaça reconfigurar o acordo previamente firmado entre o PL e o grupo de Ratinho Jr. Pelo entendimento inicial, os liberais apoiariam o nome indicado pelo governador para sua sucessão em troca de espaço na chapa ao Senado. A indefinição sobre os planos nacionais de Ratinho, no entanto, levou aliados de Flávio a reavaliar o cenário. Uma conversa entre as partes está prevista para depois do Carnaval.

Ratinho Jr. ainda não definiu se disputará a Presidência, o Senado ou se permanecerá fora da eleição nacional. Interlocutores afirmam que o governador alterna avaliações sobre o cenário, ora apontando dificuldades diante da polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro, ora demonstrando confiança em uma candidatura competitiva. Também pesam fatores políticos e familiares, além do projeto de manter seu grupo à frente do Executivo estadual, onde registra altos índices de aprovação.

No Paraná, Moro aparece bem posicionado em pesquisas de intenção de voto para o governo, o que amplia seu peso nas negociações. A eventual adesão do PL à sua candidatura — ou mesmo sua filiação à legenda, que dispõe de maior tempo de propaganda e recursos do fundo eleitoral — alteraria o equilíbrio da disputa. Aliados de Ratinho avaliam que o apoio da família Bolsonaro pode ter impacto decisivo em um eleitorado majoritariamente alinhado à direita.

Apesar das especulações, Moro afirmou, por meio de nota, que permanece no União Brasil e que pretende concorrer pela sigla em 2026. Dentro da federação formada com o PP, entretanto, há divergências. Lideranças progressistas no Estado já manifestaram resistência ao seu nome, enquanto dirigentes nacionais avaliam os reflexos eleitorais da candidatura. O senador tem até abril do próximo ano para definir eventual mudança partidária, prazo legal para quem pretende disputar o pleito de 2026.