O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou na segunda-feira que os militares envolvidos na trama golpista, atualmente réus, compareçam ao interrogatório usando vestimentas civis, e não suas fardas. A determinação foi comunicada durante a audiência, já em andamento.
Os tenentes-coronéis Rafael Martins de Oliveira e Hélio Ferreira Lima, que estavam presentes, precisaram se retirar temporariamente para se adequar à nova exigência. O juiz auxiliar Rafael Henrique Tamai Rocha, do gabinete de Moraes, justificou a medida como uma decisão do relator, destacando que a acusação recai sobre os indivíduos, e não sobre o Exército Brasileiro como instituição.
As defesas dos militares contestaram a ordem. O advogado de Oliveira argumentou que a determinação não consta nos autos e criticou o impacto na dignidade do oficialato. “Ele está fardado por ser militar da ativa, preso em unidade militar. Sugerir que pegue roupa emprestada sob ameaça de exclusão do interrogatório é uma afronta”, declarou. Segundo a defesa, Oliveira não possui vestimentas civis adequadas na prisão.
Já Luciano Pereira, defensor de Ferreira Lima, relatou que seu cliente também teve de recorrer a uma roupa emprestada para participar. “Após oito meses preso, aguardando esse momento crucial, ele foi obrigado a se adaptar a uma vestimenta alheia”, afirmou, expressando indignação com a situação.
