Montadoras pressionam Lula contra avanço chinês e alertam para demissões em massa

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Montadoras pressionam Lula contra avanço chinês e alertam para demissões em massa

O setor automotivo brasileiro enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo medidas de proteção contra incentivos à importação de carros chineses. O documento, enviado em 15 de junho, ainda não foi respondido pelo governo.

A principal preocupação gira em torno de um projeto em análise na Casa Civil que propõe a redução das tarifas de importação sobre os chamados kits SKD e CKD — peças semi ou completamente desmontadas, importadas para montagem no Brasil. O temor das montadoras é que, ao beneficiar fabricantes chinesas como a BYD, o plano comprometa a produção nacional e cause impacto direto no emprego e na tecnologia da indústria automotiva local.

“Essa medida não será uma transição para um novo modelo industrial, e sim uma ameaça à cadeia produtiva brasileira”, afirmam os executivos, que alertam para um possível “legado de desemprego, desequilíbrio comercial e dependência tecnológica”.

A carta é assinada pelos presidentes de Volkswagen, Toyota, General Motors e Stellantis. As montadoras alertam que a aprovação da medida pode provocar a retirada de até R$ 60 bilhões em investimentos anunciados, além de 5 mil demissões e o congelamento de novas contratações.

A decisão está prevista para ser discutida nesta quarta-feira (30) pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior. A proposta em pauta prevê a redução das tarifas dos kits SKD e CKD de 18% para 5% nos carros elétricos, e de 20% para 10% nos híbridos.

O debate ocorre às vésperas do tarifaço anunciado pelos EUA, que deve impor sobretaxas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, em mais um desafio diplomático para o Planalto.