Uma médica que integrava a comissão técnica do Nacional Atlético Clube denunciou ter sido alvo de assédio por parte de torcedores do Comercial Futebol Clube durante uma partida da Campeonato Paulista Série A4, disputada no último sábado (7). O episódio ocorreu justamente na véspera do Dia Internacional da Mulher.
Segundo relato da médica Bianca Francelino, um torcedor teria feito comentários de cunho sexual e gestos obscenos direcionados a ela enquanto exercia sua função à beira do campo. A profissional afirmou que o homem gritava frases ofensivas e fazia movimentos considerados desrespeitosos.
A situação acabou gerando reação de atletas e membros da comissão técnica do Nacional, que se aproximaram do alambrado para pedir que o torcedor cessasse as provocações. De acordo com Bianca, ela tentou ignorar as falas para evitar um confronto, apesar do constrangimento.
O episódio evoluiu para uma discussão nas proximidades da arquibancada do Estádio Francisco de Palma Travassos, casa do Comercial. O namorado da médica, que estava entre os torcedores, também tentou intervir, o que aumentou a tensão no local. Policiais militares precisaram ser acionados para conter a confusão.
Diante da situação, a árbitra responsável pela partida decidiu interromper o jogo e aplicar o protocolo previsto para casos de assédio. A profissional foi consultada pela arbitragem sobre o ocorrido e confirmou o episódio. Mesmo após o incidente, Bianca informou que tinha condições de seguir trabalhando e permaneceu na partida.
A médica destacou que aquela era sua primeira experiência atuando no futebol, o que tornou o episódio ainda mais marcante. O caso reacende o debate sobre respeito e segurança para mulheres que trabalham no ambiente esportivo.
A Federação Paulista de Futebol repudiou o ato.
A Federação Paulista de Futebol vem a público repudiar mais um lamentável episódio de assédio, desta vez de torcedores do Comercial à médica do Nacional, em partida válida pelo Paulistão A4 Rivalo, neste sábado.
Informada do assédio, a árbitra do jogo, Ana Caroline Carvalho, acionou o protocolo previsto no Tratado pela Diversidade e Contra a Intolerância no Futebol Paulista, paralisando a partida. A equipe da FPF na partida ofereceu todo apoio à médica vítima do assédio.
A FPF enviará o caso às autoridades competentes, para que os responsáveis pelo ato criminoso sejam identificados e punidos de forma rigorosa.
O Futebol Paulista não é palco para assédio, preconceito ou qualquer tipo de discriminação e importunação. Seguiremos atentos para coibir que situações como essa se repitam.
