Um homem de 66 anos sobreviveu durante 271 dias com um rim de porco geneticamente modificado, estabelecendo o maior período já registrado com um órgão suíno desse tipo. A pesquisa é liderada pelo brasileiro Leonardo Riella, professor da Harvard Medical School.
Tim Andrews sofria de insuficiência renal em estágio terminal e dependia de diálise antes de receber o órgão, em janeiro de 2025. Depois do procedimento, o paciente conseguiu permanecer cerca de nove meses sem diálise e retomou atividades do cotidiano.
O avanço representa um novo marco para o xenotransplante, técnica que utiliza células, tecidos ou órgãos de animais em seres humanos e é estudada como uma possível alternativa diante da falta de doadores.
O rim utilizado não veio de um porco comum. O animal passou por modificações genéticas para diminuir a possibilidade de rejeição e aumentar a compatibilidade com o organismo humano. Entre as alterações estiveram a eliminação de genes relacionados à rejeição imediata, a desativação de fragmentos virais presentes no DNA suíno e a inclusão de sete genes humanos.
Após 271 dias, entretanto, Andrews desenvolveu uma infecção bacteriana. Os médicos precisaram diminuir os medicamentos imunossupressores e, com isso, o sistema imunológico passou a atacar o órgão suíno. O rim precisou ser retirado.
A história teve um novo capítulo positivo: 82 dias depois, Andrews recebeu um rim humano, que, segundo as informações divulgadas, seguia funcionando sem sinais de rejeição.
Riella estima que, com o avanço das pesquisas, rins de porcos geneticamente modificados possam se tornar uma alternativa para determinados pacientes nos próximos cinco anos, inicialmente funcionando como uma espécie de ponte enquanto aguardam um órgão humano.
O Brasil também participa dessa corrida científica. Pesquisadores da USP anunciaram em abril o nascimento do primeiro porco clonado do Brasil, em um laboratório de Piracicaba, como parte de um projeto voltado justamente ao desenvolvimento do xenotransplante.
Apesar dos resultados promissores, ainda existem desafios importantes, principalmente em relação à rejeição e à quantidade necessária de medicamentos imunossupressores.
