Lula rebate Trump e rejeita classificação de PCC e CV como grupos terroristas: “Terrorismo foi o 8 de Janeiro”

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Lula rebate Trump e rejeita classificação de PCC e CV como grupos terroristas: “Terrorismo foi o 8 de Janeiro”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (18) que não concorda com a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração ocorreu durante um evento sobre segurança pública no Rio de Janeiro. 

Ao abordar o combate ao crime organizado, Lula citou o presidente norte-americano Donald Trump e relacionou o conceito de terrorismo aos atos de 8 de janeiro de 2023. “Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, declarou. Na sequência, Lula classificou como “terrorismo de Estado” a tentativa de ruptura institucional atribuída a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A caracterização é uma declaração política do presidente. 

Os Estados Unidos designaram oficialmente PCC e CV como Organizações Terroristas Estrangeiras em junho deste ano. Nesta semana, Trump voltou ao assunto e afirmou que o governo brasileiro não conseguiu enfrentar adequadamente as duas facções, classificando-as como uma ameaça à segurança internacional. Apesar das críticas, o documento norte-americano não colocou o Brasil entre os países considerados como tendo “falhado de maneira demonstrável” no cumprimento de obrigações internacionais de combate às drogas. 

O Ministério da Justiça brasileiro contestou a avaliação dos EUA e citou operações contra o crime organizado, medidas para atingir financeiramente as facções e acordos de cooperação entre os dois países. 

Lula também voltou a falar em soberania nacional e disse acreditar que Trump tem interesse em petróleo, minerais críticos e terras raras brasileiras. A declaração ocorre na mesma semana em que o governo sancionou uma política nacional para ampliar a pesquisa e a industrialização desses minerais no Brasil. 

No evento, o presidente também defendeu ampliar a participação da União na segurança pública e voltou a falar na criação do Ministério da Segurança Pública.