Guerra no Irã ameaça abastecimento global e pode levar milhões à fome

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Guerra no Irã ameaça abastecimento global e pode levar milhões à fome

A guerra no Oriente Médio já começa a gerar impactos que vão muito além da região do conflito. Agora, o alerta é para o risco no abastecimento global de alimentos, com possíveis reflexos diretos no preço e na disponibilidade de comida em diversos países.

O principal problema está na cadeia de produção e transporte. Com a escalada do conflito envolvendo o Irã, navios têm evitado rotas estratégicas, o que aumenta o tempo de entrega e encarece o frete. Em alguns casos, embarcações precisam contornar continentes inteiros, gerando atrasos de semanas.

Além disso, o mercado de fertilizantes também foi afetado. A Rússia, um dos maiores produtores do mundo, anunciou a suspensão temporária das exportações para priorizar o abastecimento interno. Outros países também vêm adotando medidas semelhantes, o que acende um sinal de alerta global.

O impacto já começa a ser sentido nos preços. O petróleo acumula alta de cerca de 40%, enquanto o frete subiu até 20%. Já a ureia, um dos principais fertilizantes, teve aumento de aproximadamente 50%.

Segundo estimativa do Programa Mundial de Alimentos (PMA), até 45 milhões de pessoas podem enfrentar fome caso o cenário se agrave, especialmente se o preço do petróleo se mantiver acima dos US$ 100 por barril nos próximos meses.

Especialistas alertam que a falta de fertilizantes pode comprometer diretamente a produção agrícola. Sem o insumo no momento certo, as lavouras perdem produtividade, o que pode gerar escassez e aumento ainda maior nos preços dos alimentos.

No Brasil, o impacto ainda não foi sentido de forma imediata, já que o próximo ciclo agrícola começa apenas no segundo semestre. No entanto, o país depende fortemente da importação de fertilizantes — cerca de 25% vêm da Rússia —, o que aumenta a preocupação com possíveis desabastecimentos.

O cenário é considerado delicado por organismos internacionais. A combinação de guerra, aumento de custos e redução na oferta de insumos cria um efeito em cadeia que pode pressionar economias e agravar crises alimentares, principalmente em regiões mais vulneráveis da África e da Ásia.