Grindr passa a exigir verificação de idade no Brasil para cumprir regras do ECA Digital

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O Grindr, um dos aplicativos de relacionamento LGBTQIA+ mais populares do mundo, iniciou no Brasil um novo processo obrigatório de confirmação de idade para seus usuários. O país está entre os dez principais mercados da plataforma.

A mudança, segundo a empresa, atende às exigências do chamado ECA Digital, conjunto de normas que reforça a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online e que passa a ter aplicação mais rigorosa a partir de março. Como o serviço é destinado exclusivamente a maiores de 18 anos, a verificação passa a ser requisito para continuar utilizando o aplicativo.

Desde fevereiro, usuários no Brasil começaram a receber notificações informando sobre a necessidade de realizar o procedimento. A checagem é feita apenas uma vez, mas é obrigatória para todos que acessarem a plataforma em território nacional — inclusive estrangeiros. Perfis que não concluírem a etapa ficam temporariamente bloqueados.

Para validar a idade, o aplicativo utiliza tecnologia de biometria facial da empresa FaceTec. O Grindr afirma que os dados são processados sob seu controle e utilizados exclusivamente para confirmar que o usuário é maior de idade, com foco em segurança e privacidade.

O Brasil registrou quase 10 milhões de downloads do aplicativo em 2025, consolidando o país como um mercado estratégico. No mesmo período, a plataforma entrou no radar do Ministério Público Federal, que abriu procedimento para verificar se aplicativos voltados ao público LGBTQIA+ adotam medidas adequadas de proteção aos usuários.

A apuração foi motivada por registros de crimes associados ao uso de aplicativos de relacionamento, como roubos, extorsões, agressões e até homicídios, ocorridos em diferentes estados. Integrantes do MPF destacam que, além dos riscos comuns a esse tipo de plataforma, usuários LGBTQIA+ podem estar mais expostos a situações de violência motivadas por preconceito.