
O número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu o maior patamar da série histórica no primeiro semestre de 2026, superando inclusive os níveis registrados durante a pandemia da Covid-19.
Levantamento do Monitor RGF-Bizdoc mostra que o país encerrou junho com 6.341 empresas em recuperação judicial, um crescimento de 6,2% em relação ao fim de 2025. Em maio, o estoque chegou ao recorde de 6.513 empresas, antes de registrar uma leve queda no mês seguinte.
Apesar da redução entre maio e junho, o estudo aponta que ainda não há mudança na tendência de alta, mas apenas um possível sinal de estabilização após uma sequência de recordes.
O levantamento também revela uma mudança no perfil das empresas que recorrem ao mecanismo. As micro e pequenas empresas passaram a representar a maior parte dos pedidos. Desde 2023, o número de microempresas em recuperação judicial praticamente triplicou, saltando de 513 para 1.575 CNPJs.
Entre as grandes companhias, por outro lado, a incidência diminuiu. Segundo o estudo, muitas passaram a optar pela recuperação extrajudicial, modalidade que ganhou espaço após alterações na legislação.
Os especialistas apontam que o avanço das recuperações judiciais é resultado da combinação de juros elevados, crédito mais restrito, aumento do endividamento e da demora das empresas em buscar mecanismos de reestruturação financeira.
Outro fator destacado é que muitas companhias chegam ao Judiciário apenas depois de esgotarem todas as tentativas de renegociação com bancos e fornecedores, reduzindo as chances de recuperação efetiva.
Além de afetar as empresas endividadas, o aumento das recuperações judiciais também gera reflexos em toda a cadeia produtiva, pressionando fornecedores, dificultando o acesso ao crédito e elevando os custos de financiamento para o mercado.
De acordo com os especialistas, uma redução consistente dos pedidos dependerá de fatores como queda dos juros, maior oferta de crédito, redução da inadimplência e melhora do cenário econômico. Enquanto isso não ocorrer, a tendência é que a recuperação judicial continue sendo utilizada como alternativa para empresas em dificuldades financeiras.
