Governo enfrenta prazo decisivo com tarifas dos EUA sem progresso nas negociações

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Com as negociações com os Estados Unidos estagnadas, o governo brasileiro entra em uma semana crucial à medida que as novas tarifas sobre produtos nacionais se aproximam, com entrada marcada para sexta-feira. Sem perspectivas de reversão imediata, a administração Lula foca em um plano de contingência para mitigar os danos econômicos e proteger empregos.

Apesar de tentativas diplomáticas, como o diálogo entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, o Palácio do Planalto não conseguiu estabelecer uma ligação direta com a gestão Trump. Fontes ouvidas pela Reuters descartaram reuniões ou contatos telefônicos para esta segunda-feira, sinalizando um impasse.

A equipe econômica corre para finalizar, até quarta-feira, um pacote emergencial a ser submetido a Lula. Entre as medidas propostas estão linhas de crédito com juros reduzidos, aquisições públicas de bens impactados, um fundo privado de suporte temporário às empresas e exigências de manutenção de postos de trabalho. O plano, a ser validado antes da data-limite, será acompanhado por reuniões semanais lideradas por Alckmin com o setor produtivo.

Mais de 10 mil empresas brasileiras, especialmente pequenos exportadores, serão afetadas pelas tarifas sobre itens industriais, agrícolas e minerais. A incerteza já provoca transtornos na logística, com portos e aeroportos enfrentando dúvidas sobre envios aos EUA, num período sensível para o comércio exterior.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acusou aliados de Jair Bolsonaro, como o deputado Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo, de sabotar as negociações. “Afstem-se e deixem o governo agir. A eleição acabou”, cobrou Haddad à Rádio Itatiaia. O Brasil também protocolou uma queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando violação de sua soberania econômica, enquanto o Itamaraty prepara um relatório sobre opções diplomáticas.

Nos bastidores, a Bloomberg indica que a Casa Branca pode emitir uma nova justificativa de emergência para sustentar as tarifas, aproveitando o déficit comercial brasileiro com os EUA desde 2009. Lula sinalizou disposição para retaliar, mas só após a medida entrar em vigor. Enquanto isso, Trump selou um acordo com a União Europeia, fixando tarifas de 15% sobre exportações europeias, após reunião com Ursula von der Leyen, em Turnberry, Escócia, num modelo semelhante ao pacto com o Japão.