Gastos com viagens no governo federal superam R$ 7 bilhões e levantam questionamentos

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Ricardo Stuckert / PR

Os gastos com viagens a serviço no atual governo federal já ultrapassam R$ 7,3 bilhões em pouco mais de três anos de gestão, segundo dados disponíveis no Portal da Transparência. O montante inclui despesas com passagens aéreas, diárias e outros custos operacionais relacionados a deslocamentos de servidores públicos.

Os números mostram um padrão elevado de despesas ao longo dos anos. Em 2023, foram cerca de R$ 2,29 bilhões, seguidos por R$ 2,38 bilhões em 2024 e R$ 2,46 bilhões em 2025. Apenas nos primeiros meses de 2026, o valor já passa de R$ 230 milhões. A maior parte dos recursos foi destinada ao pagamento de diárias, que somam mais de R$ 4 bilhões no período, além de cerca de R$ 2,1 bilhões em passagens.

Outro ponto que chama atenção é a concentração de gastos em deslocamentos nacionais, que representam a maior fatia das despesas. Rotas frequentes, como Brasília–Rio de Janeiro e Brasília–São Paulo, acumulam milhares de passagens emitidas, algumas com valores elevados. No cenário internacional, viagens para destinos como Estados Unidos, Portugal e Suíça também registram custos expressivos, com bilhetes que chegam a ultrapassar R$ 80 mil.

Na comparação com gestões anteriores, os números atuais são mais altos em termos absolutos, embora seja necessário considerar contextos distintos, como o período da pandemia, que reduziu drasticamente os deslocamentos entre 2020 e 2021. Ainda assim, o volume atual reacende o debate sobre a necessidade, o controle e a eficiência desses gastos.

Embora viagens institucionais façam parte do funcionamento da máquina pública, os dados reforçam a importância de transparência e avaliação criteriosa sobre a real necessidade desses deslocamentos. Em um cenário de restrições fiscais e cobrança por melhor uso do dinheiro público, o tema segue sendo alvo de questionamentos.