Fim da escala 6×1 pode elevar preços em até 13% e custar R$ 122 bi ao comércio, diz estudo

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Fim da escala 6x1 pode elevar preços em até 13% e custar R$ 122 bi ao comércio, diz estudo

A proposta de acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada semanal para 36 horas pode gerar forte impacto financeiro no comércio brasileiro. A avaliação consta em parecer técnico divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo o estudo, a mudança pode elevar a folha salarial do setor em 21%, gerando um custo adicional estimado em R$ 122,4 bilhões por ano. O levantamento analisa propostas que tramitam no Congresso e que alteram o atual limite constitucional de 44 horas semanais.

Dados da RAIS de 2024 apontam que o Brasil possui 57,8 milhões de empregos formais, sendo que 31,5 milhões estariam em jornadas diretamente afetadas. No comércio, 93% dos trabalhadores do varejo e 92% do atacado cumprem jornadas acima de 40 horas semanais, o que, segundo a CNC, torna o setor mais exposto à mudança.

O relatório também estima impacto nos preços. A entidade afirma que cada aumento de 1% na massa salarial pode gerar alta média de 0,6% nos preços ao consumidor no longo prazo. Com isso, um reajuste de 21% na folha poderia resultar em aumento de até 13% nos preços.

Além disso, o parecer projeta redução de 4,66% no Excedente Operacional Bruto (EOB) do comércio, equivalente a R$ 73,31 bilhões. Diante da queda nas margens, empresas poderiam ajustar custos, reduzir quadro de funcionários ou investir mais em tecnologia para manter a atividade.

A CNC conclui que a extinção da escala 6×1, nos moldes propostos, pode pressionar preços, rentabilidade e níveis de emprego no setor.