Realizado entre os dias 24 e 26 de abril, na Praça da Bíblia, em Ceilândia, o Festival Melodya virou alvo de críticas do público devido à baixa presença de artistas negros em sua programação. O evento integrou o Festival de Música Negra, projeto maior financiado com recursos públicos.
O Festival de Música Negra recebeu R$ 700 mil por meio da Política Nacional Aldir Blanc, com repasse do Ministério da Cultura via Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. O recurso foi destinado à Associação Brasiliense de Promoção à Cultura, Diversidade e Formação, responsável pela organização.
Inicialmente suplente no processo de seleção, o projeto foi aprovado posteriormente. Segundo a entidade organizadora, dificuldades financeiras impactaram a montagem da programação, o que levou à parceria com a produtora Media Hits para viabilizar parte das atrações. De acordo com a associação, os artistas ligados à produtora não receberam cachê.
Apesar das justificativas, a divulgação do Festival Melodya provocou reação negativa nas redes sociais. Internautas questionaram a ausência de artistas negros em um evento inserido na proposta de valorização da música negra, classificando a situação como contraditória.
A organização afirmou que, dentro da programação geral do Festival de Música Negra, seis atrações com artistas negros foram incluídas. Ainda assim, a composição do Melodya concentrou as críticas.
Especialistas e agentes culturais também se manifestaram, apontando incoerência entre a proposta do evento e a execução. Para produtores do setor, a situação evidencia desafios recorrentes na distribuição de espaço e visibilidade para artistas que representam diretamente a cultura que o festival se propõe a celebrar.
Procurada, a Secretaria de Cultura do Distrito Federal não havia se posicionado até o fechamento desta matéria.
