EUA lançam pirâmide alimentar invertida e provocam debate entre especialistas

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EUA lançam pirâmide alimentar invertida e provocam debate entre especialistas

O governo dos Estados Unidos divulgou na última quarta-feira (7) uma nova versão das diretrizes alimentares federais, trazendo como principal novidade uma pirâmide alimentar invertida. O novo modelo coloca frutas, vegetais e proteínas no topo e limita a ingestão de grãos integrais, além de recomendar a redução no consumo de carboidratos complexos, açúcares e alimentos ultraprocessados.

A proposta substitui o gráfico MyPlate, utilizado desde 2011, e foi apresentada pelo secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., integrante do governo do presidente Donald Trump. Segundo o governo norte-americano, o objetivo é incentivar uma alimentação mais baseada em alimentos naturais e com maior presença de proteínas.

A nova pirâmide chamou atenção também pelo formato visual: apresentada com a ponta para baixo, ela divide o topo em dois lados. À esquerda, aparecem alimentos como carnes e queijos; à direita, frutas e vegetais como alface, tomate e cenoura. As diretrizes também atualizam recomendações sobre gorduras. Embora mantenham o limite de até 10% das calorias diárias provenientes de gorduras saturadas, o documento reconhece que ainda são necessárias pesquisas mais precisas para definir quais tipos de gordura são ideais para a saúde.

Para Robert F. Kennedy Jr., proteínas e gorduras saudáveis são essenciais e teriam sido desencorajadas de forma equivocada em orientações anteriores. A mudança, no entanto, gerou reações divergentes entre especialistas. Parte da comunidade científica criticou a limitação de grãos integrais e alertou para possíveis impactos à saúde a longo prazo. Por outro lado, profissionais que defendem dietas com maior consumo de alimentos de origem animal comemoraram a nova abordagem.

As diretrizes alimentares federais dos Estados Unidos impactam diretamente cerca de 30 milhões de crianças atendidas por escolas públicas e programas de assistência alimentar, como o vale-refeição. O novo modelo pode alterar quais alimentos serão elegíveis para financiamento federal, inclusive nas merendas escolares.

No Brasil, a orientação segue um caminho diferente. O Guia Alimentar para a População Brasileira prioriza o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, arroz e feijão, e desestimula o uso de ultraprocessados.