Os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil, em mais um capítulo das tensões comerciais entre os dois países. A medida foi anunciada pelo governo do presidente Donald Trump e passa a valer a partir do dia 22 de julho para produtos que não estejam na lista de exceções.
Na prática, a nova taxação deve atingir menos de 20% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Produtos como aeronaves, carne bovina, suco de laranja e café em grãos ficaram de fora da medida.
A decisão é resultado de uma investigação conduzida pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), iniciada há um ano. Entre as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano estão críticas ao combate ao desmatamento, decisões do STF envolvendo empresas de tecnologia, o sistema de pagamentos Pix e acordos comerciais firmados pelo Brasil com outros países.
Segundo autoridades dos EUA, o Pix também foi citado como uma prática que prejudicaria empresas americanas do setor de pagamentos, argumento contestado pelo governo brasileiro.
Apesar da sobretaxa, representantes do governo Trump afirmaram que ainda existe espaço para negociações e disseram que as conversas entre os dois países evoluíram nas últimas semanas.
Do lado brasileiro, o governo informou que algumas das exigências apresentadas pelos Estados Unidos são consideradas inegociáveis, especialmente as relacionadas ao Pix e às decisões do Supremo Tribunal Federal.
Além da nova tarifa de 25%, o Brasil ainda pode ser alvo de outra sobretaxa de 12,5% nos próximos dias, em uma investigação separada sobre supostas práticas relacionadas ao uso de trabalho forçado na cadeia produtiva.
Caso a nova medida também seja confirmada, a carga tarifária sobre determinados produtos brasileiros poderá chegar a 37,5%.
O governo brasileiro estuda possíveis respostas, incluindo a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, enquanto as negociações entre os dois países continuam.
