
A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Monjolinho, considerada a maior obra pública de São Carlos nos séculos XX e XXI, completa nesta segunda-feira (1º) seus 17 anos de funcionamento. Inaugurada em 1º de dezembro de 2008, a estrutura representou um marco para o saneamento básico do município, que até então não tratava nenhum volume do esgoto coletado.
A implantação da estação foi coordenada pelo então presidente do SAAE, Eduardo Antônio Teixeira Cotrim, que relembra a data como um dos momentos mais significativos de sua trajetória. A inauguração contou com a presença da então senadora Marina Silva, além de autoridades federais, estaduais e municipais, reunidas em uma solenidade que marcou o início de uma nova fase para o meio ambiente local.
Localizada na estrada municipal Cônego Washington José Pêra, na região da Água Fria, a ETE Monjolinho começou operando com capacidade para tratar cerca de 75% do esgoto gerado na cidade. Atualmente, o índice supera 90%, resultado de ampliações e melhorias realizadas ao longo dos anos.
A obra foi fruto de um projeto desenvolvido por pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP), reconhecido nacionalmente como uma das soluções mais avançadas já implementadas no país. Com sua entrada em operação, teve início o processo de recuperação ambiental dos rios Monjolinho, Tijuco Preto e Gregório, historicamente degradados pela ausência de tratamento adequado.
Segundo Cotrim, os primeiros sinais de revitalização dos cursos d’água começaram a surgir após a destinação dos efluentes domésticos para a estação. A água tornou-se mais clara e espécies de peixes passaram a reaparecer, ainda que de forma tímida, reestabelecendo processos naturais interrompidos por mais de um século.
Apesar dos avanços, o ex-presidente do SAAE destaca que ainda há desafios a serem superados, especialmente no que se refere à ampliação da coleta e à universalização do tratamento. “A ETE Monjolinho representou um grande passo, mas o saneamento exige trabalho contínuo. Há muito a ser feito em São Carlos e em todo o Brasil”, afirma.
Cotrim também fez questão de reconhecer a participação de servidores do SAAE, equipes de empresas contratadas, engenheiros, técnicos e pesquisadores envolvidos na implantação do projeto. Entre as homenagens, relembrou o saudoso professor José Roberto Campos, referência da USP na área de saneamento, e o engenheiro Ventura, da empresa SEREK, ambos fundamentais para a concretização da obra.
Dezessete anos após sua entrega, a ETE Monjolinho permanece como símbolo de política pública eficaz, impacto ambiental positivo e compromisso com o futuro. Para Cotrim, o aniversário da estação reforça um sentimento de dever cumprido, mas também renova a esperança por avanços ainda necessários para que São Carlos alcance a plena saúde ambiental.
