Depois de mais de dois meses coberta por pichações, a estátua do Conde do Pinhal voltou a ser visível na manhã desta quarta-feira, com a remoção da tinta que a encobria desde o início de maio. Localizado em um dos pontos mais movimentados do centro de São Carlos, o monumento histórico é dedicado a Antônio Carlos de Arruda Botelho, figura de influência no século XIX e um dos fundadores da cidade.
A restauração não envolveu apenas o monumento: diversos pontos do centro, incluindo fachadas de edifícios públicos, abrigos de ônibus e sinalizações urbanas, também passarão por limpeza, esperamos.
O responsável pela ação foi identificado pela Polícia Civil como Nickolas Peixoto, 23 anos, estudante de pós-graduação em física. Ele admitiu ter sido o autor da pichação na estátua e em outros locais, como a representação dos Dez Mandamentos na Praça Santa Cruz. Em depoimento, Peixoto afirmou que os atos foram uma forma de provocar reflexão sobre a simbologia desses marcos, que, segundo ele, perpetuam visões de mundo que precisam ser revistas.
Do lado administrativo, o custo da limpeza está estimado em R$ 20 mil. Além da restauração material, o episódio reacende a necessidade de um debate mais amplo sobre os espaços públicos e seus significados.
Enquanto a cidade segue com seus esforços para restaurar a paisagem urbana, uma pergunta continua a ecoar nas ruas e nas redes: até onde vai o direito de protestar e onde começa o dever de preservar? A resposta, como o próprio caso mostra, ainda está em construção. Mas, neste caso, quem vai pagar a limpeza do monumento histórico é a população através dos impostos.
