Após 13 anos convivendo com um linfoma não-Hodgkin e passar por dezenas de sessões de quimioterapia sem sucesso, o publicitário brasileiro Paulo Peregrino alcançou a remissão completa da doença apenas 48 dias após receber uma terapia genética desenvolvida no Brasil.
O tratamento utilizado foi a terapia celular CAR-T Cell, considerada uma das maiores inovações da medicina no combate a alguns tipos de câncer do sangue. A técnica consiste em coletar células de defesa do próprio paciente, modificá-las em laboratório para reconhecer e atacar as células cancerígenas e, posteriormente, reinseri-las no organismo.
Segundo pesquisadores responsáveis pelos estudos, os resultados têm sido promissores: cerca de nove em cada dez pacientes tratados apresentaram redução significativa ou desaparecimento da doença.
Apesar dos avanços, a terapia ainda não está disponível de forma ampla no Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, o tratamento encontra-se em fase final de estudos clínicos no Brasil, conduzidos por instituições como o Hemocentro de Ribeirão Preto, a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com apoio do Ministério da Saúde.
O governo federal anunciou recentemente a criação de um centro para a produção nacional da terapia CAR-T, o que pode reduzir significativamente os custos do tratamento, que hoje ultrapassam R$ 2 milhões por paciente em alguns países.
A expectativa é que, após a conclusão dos estudos, aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), a terapia seja incorporada gradualmente à rede pública entre o fim de 2026 e 2028.
