Emendas parlamentares superam orçamentos de centenas de cidades em 2025

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© Jonas Pereira/Agência Senado

Um levantamento da Folha de S.Paulo revela que, em 2025, cada senador brasileiro controla R$ 68,5 milhões em emendas parlamentares, valor superior ao orçamento de 44% dos municípios do país (2.291 cidades). Já os deputados federais dispõem de pelo menos R$ 37,1 milhões, superando 14% das cidades (712). Com a adição de R$ 11 milhões em emendas de comissão, decidida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o montante por deputado pode chegar a R$ 48,1 milhões, ultrapassando 27% dos orçamentos municipais.

Esses valores, de execução obrigatória pelo governo federal, com pelo menos 50% destinados à saúde, evidenciam o crescente poder dos congressistas. A análise mostra que em estados como Tocantins (80%) e Rio Grande do Sul (60%), os recursos de um senador superam a maioria dos orçamentos locais. Deputados controlam verbas maiores que 22% das cidades de Santa Catarina e 33% do Amapá, geralmente municípios com menos de 20 mil habitantes.

A escalada das emendas, que triplicaram para senadores e duplicaram para deputados desde 2022, inverteu a dinâmica política. Ministérios agora buscam o Congresso para direcionar recursos, enquanto apenas 3% dos parlamentares adotam critérios transparentes, como editais. Especialistas como Élida Graziane, da FGV, criticam a concentração de poder, comparando os congressistas a “ordenadores de despesas” sem accountability. Beatriz Any, da USP, defende regulação para limitar valores e revisar a obrigatoriedade das emendas, tema em debate no STF.