A Embrapa desenvolveu três novos protocolos técnicos voltados à redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE) e ao aumento do sequestro de carbono na cadeia produtiva do leite. As diretrizes são resultado de anos de pesquisa científica e atacam diretamente os principais fatores responsáveis pelas emissões na pecuária, como a fermentação entérica dos bovinos, o uso de fertilizantes no solo e o manejo das pastagens.
As orientações integram uma publicação da Embrapa Pecuária Sudeste e têm como foco contribuir para a descarbonização da produção leiteira no Brasil, além de apoiar o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13, que trata do enfrentamento das mudanças climáticas. Os protocolos apresentam soluções práticas que podem ser adotadas por técnicos e produtores para reduzir impactos ambientais sem comprometer a produtividade.
Segundo a pesquisadora Patrícia Perondi Anchão Oliveira, a atividade leiteira já enfrenta desafios econômicos e produtivos, e a redução das emissões passou a ser mais um fator estratégico na gestão das propriedades. A adoção de práticas sustentáveis, explica, é fundamental para garantir segurança alimentar no longo prazo e atender a um mercado cada vez mais atento às questões ambientais.
Dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação indicam que o setor agropecuário responde por 30,5% das emissões de GEE no país, sendo o metano um dos principais gases envolvidos. A maior parte dessas emissões tem origem nos bovinos, tanto de corte quanto leiteiros, o que reforça a importância de medidas específicas para o setor.
Os protocolos elaborados pela Embrapa indicam que melhorias nos índices produtivos e reprodutivos, manejo nutricional adequado, uso de aditivos, cuidado com a sanidade e bem-estar animal, além da seleção genética, são estratégias eficazes para reduzir a emissão de metano por litro de leite produzido. Rebanhos mais produtivos e saudáveis emitem menos gases por unidade de produção, aumentando a eficiência do sistema.
Outro eixo das recomendações envolve a redução da emissão de óxido nitroso e amônia no solo, gases associados ao uso inadequado de fertilizantes nitrogenados. Entre as soluções apontadas estão o consórcio de gramíneas com leguminosas, o uso de fertilizantes de maior eficiência, a aplicação correta de ureia e a distribuição uniforme de dejetos animais, práticas que também reduzem custos e desperdícios.
O terceiro protocolo destaca o papel do solo como aliado no combate às mudanças climáticas. Técnicas como recuperação e intensificação de pastagens, plantio direto, adubação verde, sistemas integrados e uso de bioinsumos favorecem o acúmulo de carbono no solo por longos períodos. Pastagens bem manejadas, segundo a Embrapa, possuem elevado potencial de sequestro de carbono e ainda contribuem para a saúde e o bem-estar dos animais.
Para o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt, o principal obstáculo à adoção dessas práticas é o investimento inicial necessário. No entanto, ele ressalta que, ao longo do tempo, a maior eficiência produtiva tende a compensar os custos, permitindo novos avanços. Segundo ele, políticas públicas e parcerias com cooperativas, associações e indústrias são fundamentais para acelerar a transição para uma pecuária mais sustentável e resiliente.
