As contas públicas brasileiras encerraram 2025 no vermelho, puxadas principalmente pelo déficit do governo federal, onde as despesas cresceram em ritmo superior às receitas. O setor público consolidado — que reúne União, estados, municípios e estatais — registrou déficit primário de R$ 55,021 bilhões, equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB).
O resultado representa uma piora em relação a 2024, quando o déficit primário somou R$ 47,553 bilhões, ou 0,4% do PIB. Os dados constam nas Estatísticas Fiscais divulgadas pelo Banco Central, que também apontam superávit de R$ 6,251 bilhões em dezembro de 2025.
O déficit primário reflete a diferença negativa entre receitas e despesas do setor público, sem considerar o pagamento de juros da dívida. No recorte por esferas, o Governo Central foi o principal responsável pelo resultado negativo, com déficit de R$ 58,687 bilhões em 2025, acima do registrado no ano anterior. A diferença em relação aos números do Tesouro Nacional ocorre por metodologias distintas adotadas pelos órgãos.
Segundo o Tesouro, o avanço das despesas obrigatórias, como Previdência Social e Benefício de Prestação Continuada (BPC), pressionou o resultado, apesar do crescimento real da arrecadação. Já estados e municípios contribuíram para amenizar o déficit, ampliando o superávit para R$ 9,537 bilhões no ano. As empresas estatais, fora Petrobras e Eletrobras, também apresentaram resultado negativo, embora menor que em 2024.
As despesas com juros atingiram R$ 1 trilhão em 2025, o maior valor da série histórica, impulsionadas pela elevação da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano. Mesmo assim, os gastos com juros representaram 7,91% do PIB, proporção inferior à de 2024, em razão do crescimento do PIB nominal e dos ganhos com operações cambiais do Banco Central.
Com a combinação de déficit primário e juros elevados, o déficit nominal das contas públicas alcançou R$ 1,062 trilhão em 2025. Esse indicador é acompanhado de perto por agências de risco e investidores, por refletir a real necessidade de financiamento do país.
A dívida líquida do setor público chegou a R$ 8,311 trilhões, equivalente a 65,3% do PIB, o maior patamar da série histórica. Já a dívida bruta do governo geral atingiu R$ 10,017 trilhões, ou 78,7% do PIB, reforçando o quadro de deterioração fiscal e os desafios para o equilíbrio das contas públicas nos próximos anos.
