Corpo humano acelera processo de envelhecimento a partir dos 50 anos, aponta pesquisa chinesa

viver 3
Getty Images

Um levantamento conduzido por instituições científicas da China identificou que a transição para um envelhecimento mais acelerado no corpo humano ocorre, em média, a partir dos 50 anos. O estudo analisou alterações biológicas em diferentes tecidos e concluiu que, nessa fase, estruturas essenciais começam a perder eficiência com maior intensidade, afetando o desempenho geral do organismo.

A pesquisa, publicada na revista Cell, reuniu dados de 76 voluntários entre 14 e 68 anos. Os cientistas examinaram mais de 12,7 mil proteínas em 13 tipos de tecidos, e observaram que o envelhecimento não acontece de forma uniforme, mas segue padrões específicos. Entre os tecidos mais sensíveis às mudanças está o sistema vascular. Na meia-idade, a aorta passa a liberar proteínas associadas ao avanço da idade, sinalizando que o processo de deterioração celular se intensifica.

Ao cruzar as informações coletadas com bancos de dados de doenças, os pesquisadores identificaram 48 proteínas relacionadas a problemas típicos do envelhecimento, como distúrbios cardiovasculares, fibrose e acúmulo de gordura no fígado.

O estudo também detalha três mecanismos que explicam a perda de vitalidade do organismo. O primeiro é a queda na coordenação entre RNA e proteínas, prejudicando a produção adequada das substâncias que mantêm as células funcionando. O segundo é o enfraquecimento do sistema responsável por organizar e descartar proteínas defeituosas, processo que se deteriora de maneira quase generalizada. O terceiro fator é o acúmulo progressivo de proteínas consideradas tóxicas, que estimulam inflamações persistentes e aceleram o desgaste do corpo — entre elas, destaca-se a proteína SAP, encontrada em abundância nos tecidos de pessoas idosas.

Para os autores, compreender esses mecanismos é essencial para o desenvolvimento de medidas preventivas e terapias capazes de retardar os impactos do envelhecimento sobre a saúde humana.