Conflitos devem levar mais 45 milhões de pessoas à fome aguda no mundo

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© Lusa

A Organização das Nações Unidas fez um alerta nesta terça-feira sobre o risco de agravamento da fome no mundo em meio à escalada do conflito envolvendo o Irã e seus desdobramentos no Oriente Médio. Segundo estimativas, até 45 milhões de pessoas podem passar a enfrentar níveis severos de insegurança alimentar, elevando o problema a um novo patamar global.

A projeção foi apresentada pelo Programa Alimentar Mundial, que considera um cenário de prolongamento das tensões até os próximos meses, aliado à manutenção do preço do petróleo acima dos 100 dólares por barril. Nesse contexto, a crise já começa a afetar cadeias internacionais de abastecimento, com impactos que vão além da região diretamente envolvida.

Entre os principais fatores de pressão estão as dificuldades no transporte marítimo em áreas estratégicas, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho. As restrições e riscos à navegação têm provocado aumento nos custos de energia, combustíveis e fertilizantes, elementos essenciais para a produção e distribuição de alimentos em escala global.

Atualmente, milhões de pessoas já vivem em situação de vulnerabilidade alimentar no mundo, e o cenário pode se agravar caso não haja intervenção. A ONU compara o momento ao período posterior ao início da Guerra na Ucrânia, quando o número de afetados atingiu níveis críticos.

Especialistas destacam que, embora o atual conflito esteja concentrado em uma região energética, seus efeitos sobre o custo dos insumos e da logística têm impacto direto no preço dos alimentos. Regiões como a África Subsaariana e partes da Ásia estão entre as mais expostas, devido à forte dependência de importações.

Diante desse cenário, o organismo internacional reforça a necessidade de resposta humanitária urgente e com financiamento adequado para evitar um agravamento da crise, que pode atingir especialmente populações que já vivem em condições extremas.