Trinta anos após o nascimento da ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta, a ciência brasileira avança em uma tecnologia que pode transformar a medicina: o xenotransplante, técnica que consiste na transferência de órgãos e tecidos de animais para seres humanos.
O marco mais recente aconteceu em 24 de março deste ano, com o nascimento do primeiro porco clonado da América Latina voltado para esse tipo de pesquisa. A expectativa dos cientistas é que os primeiros testes clínicos no Brasil possam ocorrer por volta de 2030, dependendo dos avanços das pesquisas e das aprovações dos órgãos reguladores.
O projeto é desenvolvido pelo Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CDC) XenoBR, sediado no Instituto de Biociências da USP, em parceria com a Faculdade de Medicina, o Hospital das Clínicas (HC), o Instituto do Coração (InCor) e outras instituições de pesquisa.
A iniciativa reúne alguns dos principais especialistas do país na área e busca desenvolver animais geneticamente modificados para que seus órgãos possam, no futuro, ser transplantados com maior segurança para pacientes humanos.
Se os estudos confirmarem os resultados esperados, a tecnologia poderá ajudar a reduzir a fila de transplantes e representar um dos maiores avanços da medicina nas próximas décadas.
